As operações policiais nas comunidades |
A violência vem se transformando num dos problemas mais graves do Rio de Janeiro. A população se sente insegura e impotente diante de tantas manifestações violentas. Pessoas inocentes têm perdido suas vidas por conta desta violência que ultrapassa os limites das classes sociais.
Há quatro anos, a polícia começou a usar o caveirão, como é conhecido popularmente. As operações policiais realizadas pelo caveirão, segundo moradores de várias comunidades, utilizam ameaças tanto físicas como psicológicas, com o intuito de intimidar.
Crianças e adolescentes têm sido as maiores vítimas dessa violência. De acordo com o relatório Um mundo para as Crianças, da Rede de Monitoramento Amiga da Criança, os óbitos subiram de 3,9 para cada 100 mil habitantes, em 1990, para 7,1 em 2002. Segundo indicadores referentes ao mesmo ano, em pesquisa lançada, recentemente pelo Unicef e Observatório de Favelas, na faixa etária de 0 a 18 a taxa é bem maior: 9,15 homicídios por 100 mil, o que significa que cerca de 16 crianças e adolescentes são assassinados por dia no país.
Na pesquisa “Avaliando o Sentimento de Insegurança nos Bairros do Rio de Janeiro”, realizada pelo Núcleo de Pesquisa em Justiça Criminal e Segurança Pública, foram entrevistadas 3 mil e 600 pessoas a partir de 18 anos entre os meses de abril e setembro de 2004, em nove bairros (Bonsucesso, Pavuna, Campo Grande, Lagoa, Botafogo, Copacabana, Bangu e Santa Cruz). Cinqüenta e três por cento dos entrevistados afirmaram ter modificado seus hábitos ou atividades do dia-a-dia por se sentirem inseguros com a criminalidade. Cinqüenta e cinco por cento não vêem na atuação policial fator de insegurança nos seus bairros e sessenta por cento consideram de regular à ótima a Polícia Militar. Quarenta por cento consideram ruim ou péssima. Setenta por cento consideram de regular à ótima a Polícia Civil e, trinta por cento, ruim ou péssima. A vereadora citou alguns casos de operações policiais nas comunidades mal sucedidas:
• Lohan de Souza Santos, nove anos, morto por uma bala de fuzil na cabeça no dia 16 de setembro de 2006, no Morro do Borel.
• Guilherme Custódio Morais, oito anos, morto dia 20 de setembro de 2006, por bala perdida na favela do Guarabu, na Ilha do Governador.
• Paulo Vinícius de Oliveira Chaves, sete anos, morto atropelado por uma viatura da Polícia Militar, dia 20 de setembro de 2006, em Vigário Geral.
• Renan da Costa Ribeiro, três anos, morto dia 1º de outubro de 2006, com um tiro de fuzil na barriga, na Comunidade de Nova Holanda na Maré.
• Moisés Alves Tinim, 16 anos, morto dia 2 de outubro de 2006, com um tiro de fuzil, no Morro da Esperança no Complexo do Alemão.
• Adiriele Medeiros, nove anos, vítima de bala perdida em troca de tiros entre bandidos na Favela do Jacarezinho, em 25 de novembro.
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