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Audiências

Prostituição infantil cresce na Zona Oeste

A rede de prostituição infantil na Zona Oeste é maior do que imaginavam os membros da CPI do Turismo Sexual, presidida pela vereadora Liliam Sá e que investiga a rota desse crime no Rio. Em audiência nesta terça, no plenário da Câmara, novos pontos foram divulgados: Estrada do Mendanha, proximidades do Shopping de Santa Cruz, Conjunto Alvorada, em Santa Cruz, e Rua Coronel Tamarino, em Bangu, próximo ao posto de saúde Waldir Franco. Na audiência anterior, a Comissão divulgou que meninas se prostituíam por R$ 1,99 em Sepetiba. Também foram citadas denúncias de prostituição infantil na Feira de São Cristóvão, na Rua das Oficinas, no Engenho de Dentro, e na Praça do Méier.
O conselheiro tutelar do Méier Rodrigo Martins, que depôs na CPI, disse que foi até à praça do Méier para comprovar se havia prostituição infantil, mas que não viu nada. Liliam Sá, então, lhe perguntou se ele voltou ao local depois para checar. “Fui na parte da manhã, às 16h e após as 9h da noite”, respondeu. A vereadora replicou: “De manhã você não ia encontrar nada mesmo, porque quem se prostitui se prostitui à noite e, a esta hora, está dormindo. É no final da tarde que começa”.
Já a conselheira tutelar de Santa Cruz Irinéia Diolinda de Jesus informou, em seu depoimento, que, desde o ano passado, é comum a ida de pais ao Conselho Tutelar pedir ajuda, porque suas filhas entre 13 e 15 anos estão indo se prostituir em Copacabana. Irinéia também falou da falta de estrutura dos Conselhos Tutelares. “Não temos um profissional para fazer estatística de quantas crianças foram abusadas naquele mês. Cada conselheiro procura ter isso no caderno, mas podemos nos perder. Temos uma forma obsoleta de trabalhar. Um monte de papéis”, declarou.
A conselheira Rosana Albuquerque, de Ramos, também reclamou da falta de estrutura. “Ao averiguarmos as denúncias, muitas não são verdadeiras e não temos como averiguar todos os casos. São denúncias em que a delegacia deveria estar junto. Segundo Rosana, o Conselho dispõe de apenas um carro para esse trabalho. Quanto ao retorno dos órgãos para onde o Conselho encaminha as denúncias, Rosana disse que nem sempre tem o retorno do Ministério Público.
O problema é o capitalismo – O relator da CPI, vereador Stepan Nercessian, afirmou que não se pode separar a prostituição infantil do cruel sistema capitalista. “O sistema ensina que para ter pode-se deixar de ser. Pode ser criminoso, corrupto, porque o resultado é material. Acredito que, de cada 100 menores envolvidos com a prostituição, 98 não estão na escola”, declarou.
O vereador Charbel Zaib criticou o que ele chama de “glamurização” que a mídia dá à prostituição. “A mídia coloca a prostituição como opção, como algo legítimo”, afirmou.
A vereadora Liliam Sá pediu à Guarda Municipal um relatório atualizado do turismo sexual de crianças e adolescentes na cidade, para que a CPI possa investigar melhor o crime. E fez um apelo: que as pessoas denunciem pontos de prostituição infantil através do Disque-Criança: 0800-2829996.
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